quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Um Depoimento Sobre Uma Ilusão Real

Nem todas as histórias pertecem a um conto de fadas, inclusive a minha. Sempre me imaginei como uma pricesa perdida. Imaginava que algum dia um rei chegaria me chamando de filha e me dizendo que eu e mais ninguém passaria necessidade. Eu não conheci meu pai e ele também nunca chegou, fazem parte da minha vida apenas minha mãe e algumas pessoas que eu gosto de chamar de irmãos. Posso não ter muitos bens materiais, mas tenho muitas pessoas especiais. Essas pessoas sabem a força de um abraço, a motivação de um sorriso, e a coragem que pode dar um aperto de mão. Elas me fazem ver o sol por trás de uma nuvem, a alegria por trás de uma lágrima de chuva, e a fé por detrás da tristeza. Meus irmãos sabem distribuir alegria, mesmo com uma esperança abalada. Até que um dia chegaram uns homens de outros lugares dos nossos planetas, eles eram a promessa de uma vida melhor, e foi aí que tudo mudou. Cada dia era um novo dia. Eu não passava mais tanto tempo com fome e minha mãe recebia os cuidados que ela precisava. Mas havia uma fúria maior do que qualquer sofrimento humano, haviam sentimentos de uma Terra ferida, machucada, estragada, humilhada e desrespeitada.Em troca de quê? De poder e de glória pra alguns poucos filhos da Terra. O que eles ainda não sabem é que filhos não maltratam suas mães, filhos respeitam seus irmãos, e os verdadeiros filhos nunca se esquecem de onde vieram. Mas esses andam desobedientes, mesmo com o aviso enfezado de suas mães. Eles não compreendem que não podem comer dinheiro, beber a glória, ou ter felicidade com o poder. E eu estou aqui rezando, rezando debaixo desses escombros para que me achem, para que possam me salvar, que não percam a esperança de me encontrar. Mas acima de tudo, estou rezando para que não percam a fé, que ajudem nossa mãe, que é o lar de todos os seres vivos. Estou rezando para que abram os olhos desses pobres cegos, que não entendem que dinheiro não compra uma vida, a batida de um coração, um sorriso sincero de uma criança. Estou implorando parar que deixem esse poder e orgulho de lado, para que possamos dar as mãos e salvar nossos irmãos e nossa mãe, para que não esqueçamos o que somos e o laço que nos une.
-Em homenagem aos homens, mulheres e crianças vítimias dos desabamentos, enchentes , terremotos, guerras e outras tragédias que acontecem diariamente.

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